sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

UM MODELO DE TREINAMENTO TEOLÓGICO MINISTERIAL PARA O SÉCULO XXI



“Quando acabou de instruir seus doze discípulos, Jesus saiu para ensinar e pregar nas cidades da Galiléia” Mateus:11:1


            O mundo contemporâneo é um mundo em transição, globalizado e que vive a crise de saber para onde caminha. Não há rumos para construir um mundo melhor e há desconfiança nas instituições tradicionais. O povo não confia mais naqueles que representam estas instituições. É uma crise de integridade, de  caráter, de solidariedade. Nesse contexto, discuti-se o quanto a educação teológica tem sofrido o impacto da economia mundial e de sua crise. Pergunta-se da validade ou não da chancela do MEC para os cursos teológicos.
            A igreja cristã sofre o impacto dos acontecimentos nacionais e mundiais. Ela tem uma mensagem de “boas novas”, mas fica enclausurada e seus  discursos dominicais não provocam mudanças na sociedade. É necessária uma ação eficiente e eficaz não somente para hoje, mas para a preservação da fé cristã no futuro dos nossos filhos e daqueles que herdarão a mensagem.
            É necessário voltar a ler com afinco o “treinamento de Jesus” oferecido aos seus seguidores. Assim, como leitores do século XXI, podemos extrair  diretrizes desse treinamento e preparar  pastores, ministros, líderes e cristãos que vivenciem a fé cristã num mundo em transição. Essa é a proposta desta breve reflexão, tendo como base as instruções que Jesus deu aos seus para serem ministros do Senhor. Temos aqui então, algumas diretrizes para um treinamento teológico ministerial:


1.    Servir, é o modelo 9:35- 38
Todo cristão sabe e reconhece que o modelo de vida do cristão é o próprio Senhor Jesus. As instituições de ensino devem pensar o mesmo. As igrejas devem seguir este modelo do serviço. A razão de existirem tantas instituições sociais aponta que é possível servir. Não desejo questionar as motivações que levam estas instituições a servirem ao próximo, mas elas estão servindo. Isso é importante e valioso. Por que, então, as igrejas não servem com maior intensidade ao próximo? Por que limitamos nossa fé aos contornos do pensar correto, mas não de um  agir correto e no serviço ao mundo sem o interesse de acrescentar pessoas às nossas estatísticas? O nosso alvo é servir. Onde está nosso modelo? O texto de Mateus: 9:35-36 é específico em mostrar como o Senhor Jesus cumpria e desenvolvia a sua missão:
·        De forma peregrina, pois ele “percorria, todas as cidades e aldeias”.  É o desapego da segurança;
·        O fazer da sua missão era ensinar, pregar, servir e curar (aliviando a dor). Estamos aliviando ou estressando o povo?
·        A motivação de Jesus estava em seus sentimentos, pois o texto diz que “...vendo ele as multidões, compadeceu-se delas...” Jesus era apaixonado pela vida do seu povo sofredor;
·        Jesus focava nas necessidades “...porque andavam desgarradas e errantes, como ovelhas que não tem pastor”;
       
2.    Transmitir autoridade escolhendo os alunos 10:2-4

            Citar os nomes não é uma mera identificação. Eles são indicados como eleitos, caminharam juntos e foram aprovados. O ensino peripatético de Jesus qualificou e aprovou na prática estes alunos. Jesus “chamou” e “deu autoridade”. A transferência não era somente de conhecimento, supervisão, mas de autoridade. O treinamento gerava representantes. Esta escolha tinha objetivos claros e definidos. Na prática, Jesus vislumbrava o tipo de aluno que resultaria de seu mentoriamento. Na linguagem contemporânea, o treinamento dado por Jesus foi um training personalizado. O objetivo era qualificar pessoas para a continuidade de seu ministério. Não era para manter um status quo ou ainda manter uma estrutura hierárquica e assim perpetuar algum tipo de instituição. O centro do treinamento era servir as pessoas.

3.    Focou as cidades, as pessoas e as necessidades 10:6-11
Jesus indicou claramente onde estavam as pessoas e o que deveria ser feito a estas. São “as ovelhas perdidas” que precisam da mensagem do Reino. São aqueles que nada têm, pois não sabem onde estão nem para onde vão. Eles estão perdidos e isso não é uma referência exclusivamente soteriológica e escatológica. Em todas as épocas o ser humano viveu a doença existencial que desnorteia a vida. As pessoas são importantes, não as estruturas, os impérios pessoais,ou os impérios denominacionais. Este é um grande desafio para a mentalidade pósmoderna.
O enfoque de Jesus é que estas pessoas precisam de cura. A mensagem e a ação do Reino são terapêuticas. Os súditos devem ser treinados para curarem doenças e diminuir o sofrimento do ser humano. Em outras palavras, o treinamento de Jesus foi além do preparo teológico e doutrinário feito através dos discursos.  O treinamento ministerial não deve ter como objetivo exclusivo a preservação da fé, a conquista de almas e, conseqüentemente, o crescimento numérico da comunidade cristã. Deve ir além do discurso, pois deve suprir as necessidades, oferecer a terapia do corpo, da emoção, da alma. É o evangelho de forma integral.
           
4.    Contra cultural (poder, tradição, justiça, família, poder político) 10: 17-39

            Numa rápida leitura do texto, observa-se que os alunos de Jesus foram enviados na contramão da sociedade daquele tempo e de todos os tempos. Destaco algumas frases e idéias do texto:
JESUS
 HOJE
“...dêem de graça”
O mercado rege a mensagem
“...Não levem nem ouro, nem prata” não levem roupas
Quanto vou ganhar? É a pergunta
Se não são aceitos declarem juízo
Adaptar a mensagem para manter o status
Perseguidos pelo poder político
Compactuar antes de perder os contatos

            A mensagem do Reino que estava sendo anunciada por Jesus e que foi entregue aos seus seguidores era incômoda. Mas, a quem incomodava a mensagem? Ao mesmo tempo em que incomodava alguns grupos sociais, esta mensagem trazia vida para outros.
Concluo pensando no fato de que o treinamento que os futuros líderes vocacionados ao ministério recebem deve ser revisto à luz da mensagem e treinamento do Senhor Jesus. O mundo externo também deve  direcionar o treinamento do cristão vocacionado para tão grande obra.  Os treinados no ministério devem usar as ferramentas que o mundo externo pode oferecer para alcançar pessoas e também criar uma agenda de serviço ministerial dentro de cada realidade: mundial, nacional, estadual, da cidade, do bairro, da comunidade. Treinamento ministerial deve estar pautado no modelo do Senhor Jesus.


terça-feira, 29 de dezembro de 2009

UMA IGREJA SEM MARCAS NA CIDADE


             A igreja não pode fugir da sua responsabilidade social. Não é possível praticar uma teologia avestruz. A hora é levantar os olhos e ver o mundo com os olhos de Jesus, que ao ver as multidões, o seu coração se compadecia pelos necessitados. As cidades precisam ver as marcas da implantação do Reino de Deus.  Jesus enviou os seus discípulos para as “cidades” e nesse ato podem ser vistas essas marcas que podem ser apresentadas brevemente à luz do texto de Lucas:10:1-12. Veja essas marcas:
1. Ampla: o texto afirma que a “seara é grande”. Não há como esconder a realidade da cidade. As pessoas precisam não somente da teoria, mas da prática cristã. É o momento de quebrar preconceitos para agir em favor dos pobres, necessitados, doentes, viúvas, órfãos, etc. As políticas publicas não conseguem aliviar as dores dos necessitados. A igreja tem dentro da sua comunidade e fora dela  que praticar a ação  prática de Jesus
2.Simples: A recomendação de Jesus no versículo 4 é, que os enviados não levassem  “dinheiro”, “nem roupa de reserva”. O ministério da implantação do Reino não precisa de grande formação ou informação. O básico é simplesmente “Ide”. Ajudar pessoas, auxiliar os necessitados não precisa de treinamento mas de obediência.
3. Urgente: Quando Jesus orienta aos seus ainda no versículo 4, ele recomenda que, “a ninguém  saudeis pelo caminho”. A razão da orientação esta relacionada ao tempo que esta saudação ia tomar, especialmente no contexto oriental. Não há tempo a perder. É urgente realizar a ação em favor da implantação do Reino de Deus
4.Terapêutica: Aqui aponta o ato de servir, de auxiliar, de fazer algo em beneficio do outro. A ordens são:  “declare a paz”, “curai enfermos”, e “anuncie o Reino de Deus que está próximo”. Benção da paz, cura de doentes e pregação do rei, são maneiras de assistir as pessoas. Tanto a primeira e ultima orientação é feita oralmente, mas não há uma estratégia para  curar enfermos. Mas que devem ser curados. Essa é a ordem
5. Oposição: Nem todos desejam ver o Reino de Deus ser implantado. Paulo ao libertar a pitonisa em Filipos foi perseguido porque os senhores viram o seu lucro ir embora. Isso já havia acontecido com Jesus, quando libertou o endemoninhado e os demônios entraram nos porcos. Como estes caíram no abismo, os donos dos porcos pediram para Jesus sair da cidade, pois estavam perdendo o seu dinheiro. Quando o Reino de Deus é implantado há oposição de aqueles que usam o poder seja do dinheiro, da religião, do social em beneficio próprio e não se importam com a qualidade de vida do seu próximo.
            Estas marcas precisam ser levadas para dentro das cidades a partir dos lares cristãos, das empresas, dos negócios. Não se pode esconder a luz. Não se deve esconder o sal de terra. É hora de agir.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O Cativeiro de Deus

Deus está preso! Não, não é a ressurreição de Nietzche que declarou "Deus está morto", mas algo parecido ou talvez mais próximo disso: é simplesmente a minha reflexão de vida. Nesta caminhada teológica, que já ultrapassa os 30 anos, ouvi professores das muitas linhas teológicas e diversos outros pregadores, li livros que falavam sobre Deus, tornando-me um leitor assíduo e cheguei a uma conclusão: Deus foi colocado em um tubo de ensaio - Ele está
preso. Fiquei e continuo a ficar impressionado com a maneira com que as pessoas dissecam Deus com tanta facilidade. Fico boquiaberto quando leio diversos livros e ouço professores. Fico atento a discursos de teológicos falando e explicando Deus. É como se tivessem construido Deus, esquecendo-se que são seres humanos criados por Ele. Será que Freud estava certo? Creio que não. Descobri que Deus está preso na impressão emocional e mirabolante de uma teologia pentecostal, onde surge a figura do super-herói que impedirá
a calamidade que prediz a humanidade. Descobri que Deus está preso no raciocínio lógico do protestante ou do evangelical, sem falar no fundamentalista, que diante dos silogismos e sofismas, conseguem defender a pessoa de Deus, colocando-O a salvo das incertezas daqueles que, segundo esses fundamentalistas, profanam a Deus e ao pensamento teológico
estabelecido quando questionam, pensam, e sofrem em busca do transcendente, como se isso não fizesse parte da busca e do reconhecimento natural do ser e que foi colocada pelo próprio Deus. Tudo se encaixa. Não há mistérios. O totalmente outro está explicado. Como um quebra-cabeça divino, a essência divina e os seus atributos divinos são expostos, com clareza e justeza. Os paradoxos, as antonímias, tudo está explicado. Deus está a salvo na sua prisão e ninguém o incomode. Ele sempre estará assim e agirá dessa forma. Essa é a explicação. A impressão que tive era que eu sabia chegar a conhecer muito bem a Deus e como Ele age em relação a sua criação, como se o script divino já estivesse definido. Sempre Ele funcionaria ao meu favor, porque assim aprendi e de outra forma não poderia agir. Eu aprendi, segundo a
religião, a ler o manual de Deus. O script da sua ação na história da humanidade nunca teria mudanças. Agora eu tinha e podia ensinar o mapa que durante séculos os profetas, videntes e mágicos desejaram descobrir. Mas esqueci de aprender a respeito da multiforme graça de Deus, dos absurdos divinos, tais como pedir a um dos seus profetas para casar-se com uma
prostituta, ou permitir que seu Santo Filho se misturasse com as prostitutas, cegos, coxos e endemoninhados, e criticasse os teólogos e exegetas rabínicos, ou permite que uma mulher fosse atrás do seu amor como a moabita Rute o fez. Além disso, Ele deixa inserir nas letras sagradas do Seu livro o corpo erotizado pelas carícias amorosas do casal dos poemas dos
Cânticos dos Cânticos, leitura ausente nos cultos, pois muito "crente brasileiro" odeia o corpo, pois, segundo a sua teologia, ali reside o mal. 
Na continuação desta caminhada teológica descobri que, segundo a religião, não somente eu tinha o script da ação de Deus, mas ele estava em minhas  mãos. Mas agora eu também aprendi algo mais: descobri como o homem, resultado da ação e criação de Deus deveria se comportar nas diversas áreas  da sua vida. Não somente Deus foi colocado num tubo de ensaio para ser dissecado, mas também a sua criatura seguia pelo mesmo processo. Também é necessário planejar e determinar as ações da criação de Deus, o que pode ser
feito ou não. O objetivo do ser humano, segundo o script descoberto é: um homem ou mulher perfeitos, excelentes cristãos, bom cônjuges, excelentes pais, ótimos cidadãos e vizinhos exemplares, alvos dignos de serem alcançados, desde que não se viva somente no mundo idealizado pela religiosidade. Mas ele tem sido mais perigoso, pois muitos seres humanos
adoeceram numa procura sádico-masoquista em agradar a religião e não a Deus, pois foi esquecido de ensinar a vivenciar a humanidade. Foi esquecido de ensinar sobre a dor, lágrimas, depressão, doenças, medo e morte. Em razão desse esquecimento fatal surge a necessidade de fórmulas mágicas que operem a favor do ser humano, como roteiros de vidas bem sucedidas, planos de vitórias, escadas para o sucesso, guias espirituais, a doutrina correta, o comportamento estilizado, sonhos divinos, propósitos, etc. Foi esquecido de
dizer que nós sofremos, que somos limitados e que o pecado de perto nos rodeia e embaraça a nossa caminhada. Foi esquecido de ensinar sobre simplicidade da vida e da graça de Deus. Foi esquecido que cada individuo é único, não há outro igual. Esqueceram de olhar a realidade da vida com os olhos da graça divina. Foi esquecido de ensinar que a história do homem com
Deus não se repete, mas se cria no relacionamento pessoal com o Grande Eu Sou. Agora Deus está preso e, consequentemente, o homem também. Em defesa de uma teologia ortodoxa, esqueceram de ensinar uma teologia humana. Em defesa de uma teologia espiritual se esqueceram ensinar uma teologia da vida com cheiro de gente e com um Deus encarnado entre os homens que também sentia dores, como é visto no jardim Getsêmani. A teologia ficou presa por si mesma. Assim ela não conseguiu crescer, não conseguiu quebrar os limites que
o sistema lhe impôs e morreu por inanição, pois não tinha a vida para alimentar-se. Além disso, a teologia engordou e morreu por falta de exercício. Não se alimenta, mas engorda, é a contradição do pensamento repetitivo disciplinado pela ortodoxia da letra e não a ortodoxia da graça. A teologia ficou estagnada, parou, secou, azedou, isto é o fruto da monotonia teológica. Durante séculos tentou-se responder sempre a mesma pergunta, sempre da mesma maneira e sempre com a mesma resposta. Repetir não é pensar. Então o epitáfio da teologia do sistema que enclausurou Deus foi escrito e anunciado: Deus está preso. O último teólogo sistemático devia ter fechado o livro do sistema ou colocado um cadeado no calabouço do Divino. Devemos entender que somos seres mortais, porém livres. Somos chamados, convidados e podemos pensar. Podemos entrar e desfrutar da multiforme graça de Deus e permitir que Ele reja a sua criação libertando a criatividade humana que, embora marcada pelo pecado, não deixou de ser criação de Deus. Agora podemos ver o Deus Criador, criando como no principio e declarando que onde está Espirito do Senhor, alí há liberdade. Liberdade de expressar a
multiforme graça de Deus que age sem script e não se pode colocar num tubo de ensaio. A descoberta da multiforme graça de Deus quebra as grades das cadeias dEle e se manifesta na gargalhada de Jesus quando exultava ao Pai, pois as coisas ocultas eram reveladas aos pequeninos. Esta multiforme graça deixa o vento soprar para onde Ele quiser. Reaprender teologia? Não. Construir novos caminhos? Sim. Descobrir a multiforme sabedoria e graça de
Deus, esse é o desafio para hoje. Sejamos “vidologos” e não mais teológos. Encarnemos a teologia como vida que convida a viver a vida em abundância de Jesus, aqui e agora, e não esperar o mundo atemporal para vivenciar a graciosa glória de Deus. A graça de Deus, não pode ser subjugada pelo pensamento humano, por mais correto e ortodoxo que este se apresente. O totalmente outro se aproximou de nós para vivenciarmos prazer, graça, paz,
harmonia, satisfação e também gosto pelo gosto de viver.

Missão Integral

Falar de Jesus é algo atraente para qualquer pessoa. No mundo ocidental existem milhares de livro que tratam em particularidade a sua personalidade, estilo de vida, mensagem e tantas outras coisas que são fruto da sua vida impar. Ele é o modelo para muita das ações do ser humano. É nesse prisma que deve ser entendida a vocação da igreja na sua missão integral. Jesus sendo alguém versado no Antigo Testamento não se furtou de exercitar uma missão integral para o homem todo e para todas as pessoas. Ele foi até o povo e o povo veio até Ele. Não importava o sexo, idade, raça, nacionalidade. Todos eram bem-vindos para estar com Jesus.
Jesus conhecia desde o berço as Sagradas Escrituras. Era comum citar os profetas nos seus discursos. Ele assumia para si, o cumprimento das profecias messiânicas de Isaias. Nesse contexto que deve ser entendido o texto de Isaias 58. Que fala da religiosidade das pessoas que procuravam agradar a Deus através de jejuns, orações, sacrifícios, etc. O texto afirma que mesmo o povo estando em transgressão procurava Deus através dos sacrifícios e ritos: jejuns, cultos, ofertas, etc. Mas apesar dos “sacrifícios de adoração” Deus não estava se agradando do povo. Por quê será? A resposta é dada em Is:58:6-7
“O jejum que desejo não é este: soltar as correntes da injustiça, desatar as cordas do jugo, por em liberdade os oprimidos e romper o jugo? Não é partilhar sua comida com o faminto, abrigar o pobre desamparado, vestir o nu que você encontrou, e não recusar ajuda ao próximo”
Agora, se analisar a vida e ministério de Jesus, qual foi o ato que Ele deixou de fazer? Nenhum. Todos eles forma vivenciados pelo Senhor da vida. Multidões foram alimentadas, pessoas libertas, pobres saciados, oprimidos receberam descanso, mortos ressucitados. E não deixou de falar do evangelho. Pelo contrário aos seus discursos, Ele os acompanhou com ações que além de declarar ao homem ou mulher “a tua te salvou” supria a necessidades física.
Sendo Jesus o modelo da igreja no século XXI, que ela esta fazendo? O quanto a igreja esta fazendo como instituição? O que os cristãos individualmente estão fazendo para suprir as necessidades do pobre, do idoso, dos órfãos, dos injustiçados, do faminto. Jesus deixou sua vida como modelo. Ele não se isentou no chavão que hodiernamente é tão comum: “não vai dar para mudar”. Ele agiu em beneficio do necessitado que estava vivenciando um momento de inferioridade em razão das circunstancias históricas, sociais e econômicas que as cidades viviam. A igreja não pode se isentar da responsabilidade que o Senhor deixou com a sua mensagem e ação
Hoje, há grandes necessidades na cidade. Mas também há meios, há pessoas que podem cumprir a mesma missão do Senhor Jesus. A igreja, você, podem fazer algo mais do que verbalizar o evangelho. A espiritualidade cristã como Jesus mostrou passa pela missão integral.

sábado, 18 de julho de 2009

A Ciência da Fé

A história do pensamento humano, em seu desenvolvimento, sempre tratou a questão da "presença de Deus". Seja duvidando, negando ou defendendo, se torna impossível este assunto não fazer parte do discurso das diversas correntes de pensamento.     Os filósofos da suspeita, tais como Marx, Nietzche e Freud chegaram a conclusão que "Deus estava morto". Sartre, filósofo francês, um dos últimos pensadores modernos do assunto, achou a necessidade de "eliminar Deus" em defesa da liberdade humana, o que deixou no ser humano, segundo o filósofo,"um vazio em forma de Deus". Aliás, ilustração abundantemente usada na pregação evangélica. Mesmo diante das tentativas de enterrar a idéia de Deus, a ciência se volta para descobrir mais informações a respeito dEle, do totalmente outro, e da possibilidade de um relacionamento com a Sua criatura. O ser humano afirma, por natureza (e as pesquisas confirmam) que acredita em Deus, embora que em muitos países industrializados a porcentagem da crença em Deus esteja diminuindo gradualmente.
Diante desse fato, a ciência se debruça na pesquisa procurando resposta para a "experiência com Deus" e como ela acontece. A neuroteologia é uma nova ciência que tenta desvendar o mistério do como o cérebro experimenta Deus. Procura descobrir a respeito daquilo que os cristãos, através dos séculos, têm chamado de união mística com Deus. Esta pesquisa científica já acontece desde os anos 70-80, com diversos estudos. Um dos pioneiros nesta área, o cientista James Austin, conta suas experiências em seu livro "Zen and the brain" (Zen e o cérebro). Na mesma época, o antropólogo e psiquiatra Eugen d'Aquilli pesquisou a respeito das experiências religiosas, especificamente nos momentos em que o devoto se prostava para sua devoção.
Nos anos 90, se juntou a D`Aquillie o neurologista Andrew Newberg, da Universidade da Pensilvânia, e passaram a realizar pesquisas tomográficas em cristãos que, em estado de meditação, indicavam uma atividade cerebral específica através do fluxo sanguíneo. Os voluntários pesquisados aceitaram ser supervisionados neurologicamente mediante uma espécie de radiografia cerebral chamada Spect (uma espécie de scanner que mede o fluxo sanguíneo relacionado na atividade cerebral). Algumas das informações produzidas por esta pesquisa revelam que a atividade do encéfalo é modificada com as atividades espirituais: ao mesmo tempo a região cerebral que trabalha com a orientação espacial é, de certa forma, desativada. É este, segundo as pesquisas neuroteológicas, o momento do êxtase ou onde acontece a experiência mística. ênde se realiza a experiaseroteolespirituais ao mesmo tempo a regirebral.te uma radiografia
A partir das imagens produzidas pela tomografia procura-se desvendar um dos maiores enigmas da realidade: o relacionamento do cristão com Deus na sua vida de devoção. Este ramo do conhecimento tem sido chamado de neuroteologia ou ainda uma biologia da fé. Sem dúvidas, estas pesquisas trarão maior clareza à conexão entre o cérebro e o transcendental e a chamada espiritualidade. As pesquisas e conclusões de DÁquille e de Newber se encontram publicados no livro "Why God Won`t Go Away", (Por que Deus não vai embora?) Como em décadas passadas aconteceu com a Psicologia mas que hoje transita livremente no meio evangélico, a Neuroteologia surge como uma ciência que passa a ajudar o homem em sua vida cristã. Ainda que no início muito se questionou o uso da Psicologia, mais tarde esta ciência se ajuntou à teologia, produzindo a chamada Psicoteologia, a qual, atualmente, auxilia o cristão em seu desenvolvimento pessoal e relacional com Deus e o seu próximo. Da mesma forma, entendemos que a Neuroteologia poderá passar pelo mesmo processo. Diante disso, devemos, em primeiro lugar, encarar o fato de que o desenvolvimento do pensamento humano passa pela teologia e isto não deve assustar o cristão menos atento, pelo contrário, deve lhe ser um estímulo para conhecer o que esta nova ciência pode trazer de benéfico ou não ao crescimento da fé cristã e do relacionamento do cristão com Deus, especificamente em sua devoção.
Em segundo lugar, o estudo da neuroteologia, embora ainda incipiente, vem confirmar a "encarnação" da experiência com Deus. Isto significa que ela pode acontecer inserida na realidade histórica da nossa fé e não pertence exclusivamente a um grupo de iluminados ou um tipo de anacoretas do deserto. O chamado "mundo espiritual" é de fato "aqui e agora", portanto não há necessidade do cristão excluir-se de sua vida cotidiana com seus relacionamentos sociais, traumas e limitações, para ter acesso ao sobrenatural. Em terceiro lugar, é evidente que o cristão deverá ser seletivo nas suas experiências com Deus, como sempre deve acontecer, mas a experiência religiosa e mística está ao alcance de todo cristão nascido de novo e deve produzir os frutos apontados pela palavra de Deus. Ao mesmo tempo, o cristão deve estar alerta para poder discernir aquilo que vem do Senhor e para isso não resta outro caminho a não ser o conhecimento da Palavra de Deus.
Em quarto lugar, o crescimento da ciência não deve trazer uma "paranóia cristã" na qual a experiência com Deus se torna seletiva, ou determinante daquilo que é ou não espiritual ou, por outro lado, num certo escatologicismo em que o Diabo é apresentado como atuante e como poderes especiais para enganar os escolhidos, como tem acontecido nos últimos anos. Finalmente, esta nova ciência deve estimular o cristão a uma contínua pesquisa no mundo teológico e não se limitar exclusivamente a dogmas ou doutrinas já estabelecidos pela fé, pelo dogma institucional. É um desafio para crescer no conhecimento e preparação para sempre dar " a razão da nossa fé " segundo orienta o apóstolo Pedro.