terça-feira, 29 de dezembro de 2009

UMA IGREJA SEM MARCAS NA CIDADE


             A igreja não pode fugir da sua responsabilidade social. Não é possível praticar uma teologia avestruz. A hora é levantar os olhos e ver o mundo com os olhos de Jesus, que ao ver as multidões, o seu coração se compadecia pelos necessitados. As cidades precisam ver as marcas da implantação do Reino de Deus.  Jesus enviou os seus discípulos para as “cidades” e nesse ato podem ser vistas essas marcas que podem ser apresentadas brevemente à luz do texto de Lucas:10:1-12. Veja essas marcas:
1. Ampla: o texto afirma que a “seara é grande”. Não há como esconder a realidade da cidade. As pessoas precisam não somente da teoria, mas da prática cristã. É o momento de quebrar preconceitos para agir em favor dos pobres, necessitados, doentes, viúvas, órfãos, etc. As políticas publicas não conseguem aliviar as dores dos necessitados. A igreja tem dentro da sua comunidade e fora dela  que praticar a ação  prática de Jesus
2.Simples: A recomendação de Jesus no versículo 4 é, que os enviados não levassem  “dinheiro”, “nem roupa de reserva”. O ministério da implantação do Reino não precisa de grande formação ou informação. O básico é simplesmente “Ide”. Ajudar pessoas, auxiliar os necessitados não precisa de treinamento mas de obediência.
3. Urgente: Quando Jesus orienta aos seus ainda no versículo 4, ele recomenda que, “a ninguém  saudeis pelo caminho”. A razão da orientação esta relacionada ao tempo que esta saudação ia tomar, especialmente no contexto oriental. Não há tempo a perder. É urgente realizar a ação em favor da implantação do Reino de Deus
4.Terapêutica: Aqui aponta o ato de servir, de auxiliar, de fazer algo em beneficio do outro. A ordens são:  “declare a paz”, “curai enfermos”, e “anuncie o Reino de Deus que está próximo”. Benção da paz, cura de doentes e pregação do rei, são maneiras de assistir as pessoas. Tanto a primeira e ultima orientação é feita oralmente, mas não há uma estratégia para  curar enfermos. Mas que devem ser curados. Essa é a ordem
5. Oposição: Nem todos desejam ver o Reino de Deus ser implantado. Paulo ao libertar a pitonisa em Filipos foi perseguido porque os senhores viram o seu lucro ir embora. Isso já havia acontecido com Jesus, quando libertou o endemoninhado e os demônios entraram nos porcos. Como estes caíram no abismo, os donos dos porcos pediram para Jesus sair da cidade, pois estavam perdendo o seu dinheiro. Quando o Reino de Deus é implantado há oposição de aqueles que usam o poder seja do dinheiro, da religião, do social em beneficio próprio e não se importam com a qualidade de vida do seu próximo.
            Estas marcas precisam ser levadas para dentro das cidades a partir dos lares cristãos, das empresas, dos negócios. Não se pode esconder a luz. Não se deve esconder o sal de terra. É hora de agir.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O Cativeiro de Deus

Deus está preso! Não, não é a ressurreição de Nietzche que declarou "Deus está morto", mas algo parecido ou talvez mais próximo disso: é simplesmente a minha reflexão de vida. Nesta caminhada teológica, que já ultrapassa os 30 anos, ouvi professores das muitas linhas teológicas e diversos outros pregadores, li livros que falavam sobre Deus, tornando-me um leitor assíduo e cheguei a uma conclusão: Deus foi colocado em um tubo de ensaio - Ele está
preso. Fiquei e continuo a ficar impressionado com a maneira com que as pessoas dissecam Deus com tanta facilidade. Fico boquiaberto quando leio diversos livros e ouço professores. Fico atento a discursos de teológicos falando e explicando Deus. É como se tivessem construido Deus, esquecendo-se que são seres humanos criados por Ele. Será que Freud estava certo? Creio que não. Descobri que Deus está preso na impressão emocional e mirabolante de uma teologia pentecostal, onde surge a figura do super-herói que impedirá
a calamidade que prediz a humanidade. Descobri que Deus está preso no raciocínio lógico do protestante ou do evangelical, sem falar no fundamentalista, que diante dos silogismos e sofismas, conseguem defender a pessoa de Deus, colocando-O a salvo das incertezas daqueles que, segundo esses fundamentalistas, profanam a Deus e ao pensamento teológico
estabelecido quando questionam, pensam, e sofrem em busca do transcendente, como se isso não fizesse parte da busca e do reconhecimento natural do ser e que foi colocada pelo próprio Deus. Tudo se encaixa. Não há mistérios. O totalmente outro está explicado. Como um quebra-cabeça divino, a essência divina e os seus atributos divinos são expostos, com clareza e justeza. Os paradoxos, as antonímias, tudo está explicado. Deus está a salvo na sua prisão e ninguém o incomode. Ele sempre estará assim e agirá dessa forma. Essa é a explicação. A impressão que tive era que eu sabia chegar a conhecer muito bem a Deus e como Ele age em relação a sua criação, como se o script divino já estivesse definido. Sempre Ele funcionaria ao meu favor, porque assim aprendi e de outra forma não poderia agir. Eu aprendi, segundo a
religião, a ler o manual de Deus. O script da sua ação na história da humanidade nunca teria mudanças. Agora eu tinha e podia ensinar o mapa que durante séculos os profetas, videntes e mágicos desejaram descobrir. Mas esqueci de aprender a respeito da multiforme graça de Deus, dos absurdos divinos, tais como pedir a um dos seus profetas para casar-se com uma
prostituta, ou permitir que seu Santo Filho se misturasse com as prostitutas, cegos, coxos e endemoninhados, e criticasse os teólogos e exegetas rabínicos, ou permite que uma mulher fosse atrás do seu amor como a moabita Rute o fez. Além disso, Ele deixa inserir nas letras sagradas do Seu livro o corpo erotizado pelas carícias amorosas do casal dos poemas dos
Cânticos dos Cânticos, leitura ausente nos cultos, pois muito "crente brasileiro" odeia o corpo, pois, segundo a sua teologia, ali reside o mal. 
Na continuação desta caminhada teológica descobri que, segundo a religião, não somente eu tinha o script da ação de Deus, mas ele estava em minhas  mãos. Mas agora eu também aprendi algo mais: descobri como o homem, resultado da ação e criação de Deus deveria se comportar nas diversas áreas  da sua vida. Não somente Deus foi colocado num tubo de ensaio para ser dissecado, mas também a sua criatura seguia pelo mesmo processo. Também é necessário planejar e determinar as ações da criação de Deus, o que pode ser
feito ou não. O objetivo do ser humano, segundo o script descoberto é: um homem ou mulher perfeitos, excelentes cristãos, bom cônjuges, excelentes pais, ótimos cidadãos e vizinhos exemplares, alvos dignos de serem alcançados, desde que não se viva somente no mundo idealizado pela religiosidade. Mas ele tem sido mais perigoso, pois muitos seres humanos
adoeceram numa procura sádico-masoquista em agradar a religião e não a Deus, pois foi esquecido de ensinar a vivenciar a humanidade. Foi esquecido de ensinar sobre a dor, lágrimas, depressão, doenças, medo e morte. Em razão desse esquecimento fatal surge a necessidade de fórmulas mágicas que operem a favor do ser humano, como roteiros de vidas bem sucedidas, planos de vitórias, escadas para o sucesso, guias espirituais, a doutrina correta, o comportamento estilizado, sonhos divinos, propósitos, etc. Foi esquecido de
dizer que nós sofremos, que somos limitados e que o pecado de perto nos rodeia e embaraça a nossa caminhada. Foi esquecido de ensinar sobre simplicidade da vida e da graça de Deus. Foi esquecido que cada individuo é único, não há outro igual. Esqueceram de olhar a realidade da vida com os olhos da graça divina. Foi esquecido de ensinar que a história do homem com
Deus não se repete, mas se cria no relacionamento pessoal com o Grande Eu Sou. Agora Deus está preso e, consequentemente, o homem também. Em defesa de uma teologia ortodoxa, esqueceram de ensinar uma teologia humana. Em defesa de uma teologia espiritual se esqueceram ensinar uma teologia da vida com cheiro de gente e com um Deus encarnado entre os homens que também sentia dores, como é visto no jardim Getsêmani. A teologia ficou presa por si mesma. Assim ela não conseguiu crescer, não conseguiu quebrar os limites que
o sistema lhe impôs e morreu por inanição, pois não tinha a vida para alimentar-se. Além disso, a teologia engordou e morreu por falta de exercício. Não se alimenta, mas engorda, é a contradição do pensamento repetitivo disciplinado pela ortodoxia da letra e não a ortodoxia da graça. A teologia ficou estagnada, parou, secou, azedou, isto é o fruto da monotonia teológica. Durante séculos tentou-se responder sempre a mesma pergunta, sempre da mesma maneira e sempre com a mesma resposta. Repetir não é pensar. Então o epitáfio da teologia do sistema que enclausurou Deus foi escrito e anunciado: Deus está preso. O último teólogo sistemático devia ter fechado o livro do sistema ou colocado um cadeado no calabouço do Divino. Devemos entender que somos seres mortais, porém livres. Somos chamados, convidados e podemos pensar. Podemos entrar e desfrutar da multiforme graça de Deus e permitir que Ele reja a sua criação libertando a criatividade humana que, embora marcada pelo pecado, não deixou de ser criação de Deus. Agora podemos ver o Deus Criador, criando como no principio e declarando que onde está Espirito do Senhor, alí há liberdade. Liberdade de expressar a
multiforme graça de Deus que age sem script e não se pode colocar num tubo de ensaio. A descoberta da multiforme graça de Deus quebra as grades das cadeias dEle e se manifesta na gargalhada de Jesus quando exultava ao Pai, pois as coisas ocultas eram reveladas aos pequeninos. Esta multiforme graça deixa o vento soprar para onde Ele quiser. Reaprender teologia? Não. Construir novos caminhos? Sim. Descobrir a multiforme sabedoria e graça de
Deus, esse é o desafio para hoje. Sejamos “vidologos” e não mais teológos. Encarnemos a teologia como vida que convida a viver a vida em abundância de Jesus, aqui e agora, e não esperar o mundo atemporal para vivenciar a graciosa glória de Deus. A graça de Deus, não pode ser subjugada pelo pensamento humano, por mais correto e ortodoxo que este se apresente. O totalmente outro se aproximou de nós para vivenciarmos prazer, graça, paz,
harmonia, satisfação e também gosto pelo gosto de viver.

sábado, 18 de julho de 2009

A Ciência da Fé

A história do pensamento humano, em seu desenvolvimento, sempre tratou a questão da "presença de Deus". Seja duvidando, negando ou defendendo, se torna impossível este assunto não fazer parte do discurso das diversas correntes de pensamento.     Os filósofos da suspeita, tais como Marx, Nietzche e Freud chegaram a conclusão que "Deus estava morto". Sartre, filósofo francês, um dos últimos pensadores modernos do assunto, achou a necessidade de "eliminar Deus" em defesa da liberdade humana, o que deixou no ser humano, segundo o filósofo,"um vazio em forma de Deus". Aliás, ilustração abundantemente usada na pregação evangélica. Mesmo diante das tentativas de enterrar a idéia de Deus, a ciência se volta para descobrir mais informações a respeito dEle, do totalmente outro, e da possibilidade de um relacionamento com a Sua criatura. O ser humano afirma, por natureza (e as pesquisas confirmam) que acredita em Deus, embora que em muitos países industrializados a porcentagem da crença em Deus esteja diminuindo gradualmente.
Diante desse fato, a ciência se debruça na pesquisa procurando resposta para a "experiência com Deus" e como ela acontece. A neuroteologia é uma nova ciência que tenta desvendar o mistério do como o cérebro experimenta Deus. Procura descobrir a respeito daquilo que os cristãos, através dos séculos, têm chamado de união mística com Deus. Esta pesquisa científica já acontece desde os anos 70-80, com diversos estudos. Um dos pioneiros nesta área, o cientista James Austin, conta suas experiências em seu livro "Zen and the brain" (Zen e o cérebro). Na mesma época, o antropólogo e psiquiatra Eugen d'Aquilli pesquisou a respeito das experiências religiosas, especificamente nos momentos em que o devoto se prostava para sua devoção.
Nos anos 90, se juntou a D`Aquillie o neurologista Andrew Newberg, da Universidade da Pensilvânia, e passaram a realizar pesquisas tomográficas em cristãos que, em estado de meditação, indicavam uma atividade cerebral específica através do fluxo sanguíneo. Os voluntários pesquisados aceitaram ser supervisionados neurologicamente mediante uma espécie de radiografia cerebral chamada Spect (uma espécie de scanner que mede o fluxo sanguíneo relacionado na atividade cerebral). Algumas das informações produzidas por esta pesquisa revelam que a atividade do encéfalo é modificada com as atividades espirituais: ao mesmo tempo a região cerebral que trabalha com a orientação espacial é, de certa forma, desativada. É este, segundo as pesquisas neuroteológicas, o momento do êxtase ou onde acontece a experiência mística. ênde se realiza a experiaseroteolespirituais ao mesmo tempo a regirebral.te uma radiografia
A partir das imagens produzidas pela tomografia procura-se desvendar um dos maiores enigmas da realidade: o relacionamento do cristão com Deus na sua vida de devoção. Este ramo do conhecimento tem sido chamado de neuroteologia ou ainda uma biologia da fé. Sem dúvidas, estas pesquisas trarão maior clareza à conexão entre o cérebro e o transcendental e a chamada espiritualidade. As pesquisas e conclusões de DÁquille e de Newber se encontram publicados no livro "Why God Won`t Go Away", (Por que Deus não vai embora?) Como em décadas passadas aconteceu com a Psicologia mas que hoje transita livremente no meio evangélico, a Neuroteologia surge como uma ciência que passa a ajudar o homem em sua vida cristã. Ainda que no início muito se questionou o uso da Psicologia, mais tarde esta ciência se ajuntou à teologia, produzindo a chamada Psicoteologia, a qual, atualmente, auxilia o cristão em seu desenvolvimento pessoal e relacional com Deus e o seu próximo. Da mesma forma, entendemos que a Neuroteologia poderá passar pelo mesmo processo. Diante disso, devemos, em primeiro lugar, encarar o fato de que o desenvolvimento do pensamento humano passa pela teologia e isto não deve assustar o cristão menos atento, pelo contrário, deve lhe ser um estímulo para conhecer o que esta nova ciência pode trazer de benéfico ou não ao crescimento da fé cristã e do relacionamento do cristão com Deus, especificamente em sua devoção.
Em segundo lugar, o estudo da neuroteologia, embora ainda incipiente, vem confirmar a "encarnação" da experiência com Deus. Isto significa que ela pode acontecer inserida na realidade histórica da nossa fé e não pertence exclusivamente a um grupo de iluminados ou um tipo de anacoretas do deserto. O chamado "mundo espiritual" é de fato "aqui e agora", portanto não há necessidade do cristão excluir-se de sua vida cotidiana com seus relacionamentos sociais, traumas e limitações, para ter acesso ao sobrenatural. Em terceiro lugar, é evidente que o cristão deverá ser seletivo nas suas experiências com Deus, como sempre deve acontecer, mas a experiência religiosa e mística está ao alcance de todo cristão nascido de novo e deve produzir os frutos apontados pela palavra de Deus. Ao mesmo tempo, o cristão deve estar alerta para poder discernir aquilo que vem do Senhor e para isso não resta outro caminho a não ser o conhecimento da Palavra de Deus.
Em quarto lugar, o crescimento da ciência não deve trazer uma "paranóia cristã" na qual a experiência com Deus se torna seletiva, ou determinante daquilo que é ou não espiritual ou, por outro lado, num certo escatologicismo em que o Diabo é apresentado como atuante e como poderes especiais para enganar os escolhidos, como tem acontecido nos últimos anos. Finalmente, esta nova ciência deve estimular o cristão a uma contínua pesquisa no mundo teológico e não se limitar exclusivamente a dogmas ou doutrinas já estabelecidos pela fé, pelo dogma institucional. É um desafio para crescer no conhecimento e preparação para sempre dar " a razão da nossa fé " segundo orienta o apóstolo Pedro.

domingo, 12 de julho de 2009

A ANGÚSTIA DO PÚLPITO

"Prega a palavra em todo tempo e fora de tempo". Este foi o desafio do velho pregador que aguardava a partida desta vida. Desafio que acompanhou a história da pregação e que centralizou o trabalho de muitos ministros da Palavra. Além de pregar, mantinham no seu lastro as marcas do cristianismo que nasceu em Jerusalém. Carregavam a responsabilidade do pregador nas diversas circunstâncias de vida. Nada era mais importante que comunicar a Palavra de Deus: era o centro de suas vidas. Eram comunicadores da Palavra Bíblica. Sentiam a angústia do pregador diante da responsabilidade de pregar o evangelho da graça; o qual era descoberto nas páginas bíblicas e comunicado a uma platéia que desejava saber se havia uma palavra do Senhor para aquele momento.

A construção da teologia cristã teve seu início pela Palavra pregada. Mais tarde estes pensamentos foram preservados através da escrita. Primeiro com grandes dificuldades, posteriormente com a invenção da imprensa o trabalho da preservação ficou facilitado. Graças a esta invenção pode-se aprender com estes anunciadores do evangelho, como vencer o desafio do velho pregador nas palavras endereçadas ao seu jovem discípulo, registradas nas epístolas pastorais que já foram supracitadas.

Este é o desafio de todo pregador. Todos aqueles que assumem o púlpito devem não somente entender o desafio, mas desenvolverem-se para vencê-lo. Não é aceitável ferir a história da teologia, da pregação, que foi fonte de altos temas de discussão nas academias e na vida do povo. Não se pode macular esta história com pregadores que não conheçam com profundidade as Escrituras, sua história, sua mensagem e o seu valor. Na atualidade as Escrituras foram valorizadas pelo comércio, mas são desvalorizadas por aqueles que dizem anunciar a sua mensagem. As Escrituras perderam o fascínio do sagrado para o anunciador de boas novas. Muitos entenderam que um curso superior na área, faria deles um pregador com condições ad eternum para expor a mensagem e ainda qualificá-la como bíblica. O curso não qualifica é tão somente um ponto de início para essa qualificação.

Hoje, precisam-se de pregadores que se exponham à critica de ter gastado tempo no desafio de entender o texto para melhor comunicá-lo. Comunicar é a palavra contemporânea que substitui o pregar. Comunicar não é somente manter o auditório acordado. O desafio do comunica-dor da Palavra, é mostrar que a mensagem que ele transmite é fruto do esforço e "da dor" que trouxe a pesquisa exaustiva e que o qualifica para assumir a plataforma ou um púlpito duma igreja. Quando isso não acontece, o púlpito agoniza. E este esforço não depende do tamanho ou do tipo de auditório. O desafio do comunicador da Palavra é responder as questões da vida, mas para isso ele precisa ter o profundo o conhecimento da palavra da vida, do criador da vida e da vida.

Qualquer um pode ser comunicador. Qualquer pessoa pode manter um auditório acordado, animado. Mas poucos são aqueles que conseguem ser comunicadores da Palavra.

Personificando, deduz-se que o púlpito está vivendo a sua angústia. Angústia de solidão. Angústia da velha Palavra, embora em novas roupagens, mas sendo a Palavra. Angústia, pois colocaram ali um comunicador, esquecendo-se, porém, do conteúdo. Sim, angústia por um comunica-dor da mensagem da Palavra de Deus, que foi gestada na dor da construção do estudo e exposta na dor do parto da comunicação.

Assim, o comunicador ou pregador da Palavra ao cumprir a sua missão histórica de vencer o antigo desafio do velho pregador, deixará o púlpito com uma angústia menor

Assim, eu escrevi - jotaeme

José Miguel [jotaeme] na primavera de 2008


sábado, 11 de julho de 2009

O CANTO DOS CISNES

Sou um apaixonado pela história da Igreja Cristã. Embora não seja um erudito no assunto, gosto de ler a respeito de como a Igreja do Senhor Jesus viveu a vida no seu tempo. Uma das coisas que marca a vida de homens e mulheres que fizeram esta história é o sofrimento. Quando falo de sofrimento não me refiro ao sofrimento vindo da perseguição produzida por governos tiranos ou por outros grupos religiosos. Falo do sofrimento pessoal, tais como doenças físicas, aflições, doenças emocionais como a depressão, disputas de idéias, problemas familiares. Quando verifico esta história a paz do Senhor inunda o meu ser, pois estou em boa companhia. Em companhia de homens e mulheres vocacionados por Deus para viver a vida do Senhor Jesus aqui na terra e vejo que a Igreja atual também é formada por homens e mulheres que vivem estas circunstancias no seu dia a dia. Alguém chamou ao sofrimento dos cristãos do passado como o "canto dos cisnes" pois estes quando sofrem cantam ainda mais docemente.

Por que falar de sofrimento? A resposta é simples – porque sofremos. Isso não pode ser negado. O sofrimento é parte da vida. Faz parte do processo que Deus usa para nosso crescimento. Isto não significa que devemos buscar o sofrimento para obter algum tipo de benção ou a abundância da graça de Deus. Não, não é isto. Mas a graça de Deus se manifesta no meio deste período de sofrimento. É neste sofrimento que, de maneira figurada digo, Deus nos pega no colo e nos balança com o seu amor. O sofrimento é parte da vida cristã. Sofremos porque Deus permite isto. Negar o sofrimento é negar também o evangelho. Este evangelho nasceu no meio do sofrimento e isso está claro na vida de Jesus e dos apóstolos como também no escritos que estes deixaram.

Podemos citar alguns frutos do sofrimento:

  • Fortalece a certeza que Deus é Soberano sobre todos
  • Abre o entendimento para a vida cristã
  • Fortalece a confiança nas promessas de Deus
  • Mostra que ser cristão é andar contra o vento.

Que Deus nos ajude a descobrir mais e maiores bênçãos durante os períodos de sofrimento.

Assim eu escrevi - jotaeme

TEOLOGIA CRISTÃ A LENTE DO CRISTÃO PARA OLHAR O MUNDO

Fala-se de crise na educação do pais. Esta crise também chegou aos arraiais dos seminários, institutos e faculdades teológicas. Conseqüentemente chegou nas igrejas,, nos púlpitos e instituições eclesiásticas. Não há como negar esta realidade. É uma realidade que precisa mudar e esta mudança no vem de cima para baixo. A mudança vem do membro da igreja. Ele passa a questionar suas decisões. Analisa o mundo em que ele está inserido. É a lente da teologia cristã que passa a ser usada para analisar o mundo

Muitos pensam de maneira errada a respeito da teologia.. Alguns entendem que a teologia é perda de tempo. Que ela é árida e escraviza a fé ao raciocínio humano. Quem pensa assim não sabe o que é teologia e menos ainda, não sabe que esa opinião é uma expressão teológica. E mais ainda uma expressão teológica da sua fé. Assim quem rejeita a teologia carimba a sua fé como irracional, sem bases claras e objetivas. A bíblia mostra para o povo de Deus que precisamos estar "...sempre preparados para responder a qualquer pessoa que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês." (1a.Pedro:3:15). Destaco duas coisas, qualquer pessoa, isto é, culto ou indouto, cristão ou não cristão e outros. Também deve ser uma resposta que usou a razão. (Cf.Romanos:12:1-3) O que podemos ver muito hoje será então uma boa ou má teologia cristã. Aqui é que reside a questão principal. Conhece-se mais a má teologia cristã do que a boa teologia cristã. Há mais interesse em disser aquilo que é sentido (emoção) e não aquilo que pensamos (razão)

Quando nos conscientizamos da necessidade de uma boa teologia cristã vemos que o mundo poderá ser analisado do ponto de vista de Deus. Para isto descobriremos na Bíblia, fonte da teologia cristã, a analise que Deus faz dos fatos da vida. Porque quando pensamos em teologia cristã, entendemos que não é algo abstrato mas amplamente prático, pois é o estudo de Deus pessoal revelado na Bíblia. Necessariamente isso inclui tudo o que é revelado sobre Ele e as suas obras e as relações com as suas criaturas e criação. Assim é possível ver que toda ação que o cristão pratica existe por trás uma "teologia cristã". Há questão é saber se essa teologia, embora com o adjetivo de cristã, precisa ser avaliada como boa ou má teologia.

Quando entendemos que a teologia é extremamente pratica, cremos que ela desnuda o ser humano nas suas decisões. A teologia passa a direcionar as decisões da nossa vida: negócios, relacionamentos, compras, uso do poder, sexualidade, etc. A teologia analisa a origem das decisões; boa ou má teologia cristã. Ela legitima nossas normas culturais mais profundas utilizadas para avaliar nossas experiências e escolher o modo de agir. Dirige o nosso comportamento. Ela é o mapa da nossa vida diária. É ela que integra a nossa cultura. Ela organiza nossas idéias, nossos sentimentos e valores em único planejamento geral. A teologia cristã também monitora a necessidade de mudança cultural. Ela avalia o novo que chega o velho que abandona o nosso mundo. Todos nós fazemos isso mesmo nunca ter freqüentado um seminário teológico. O ser humano é um teólogo, resta saber, se há boa ou má teologia.

Por isso há necessidade de voltarmos ao estudo da teologia para poder decidir segundo Deus deseja que façamos. Se estudarmos a Palavra de Deus com afinco teremos uma boa teologia tendo uma prática que agrade a Deus. E a sua teologia é boa ou má?

A MENTE A SERVIÇO DE DEUS

Gosto de definir teologia de uma forma simples e até engraçada. Teologia é como o chefe de cozinha que prepara deliciosos pratos no seu trabalho. Como o chefe de cozinha, assim é o estudo teológico da bíblia: prepara deliciosa comida. O chefe pode conhecer e decorar diferentes receitas mas não alimenta ninguém. O leitor da bíblia poderá conhecer decor uma série de textos bíblicos, mas que não oferecem nenhuma contribuição para uma boa alimentação, já que não houve o ajuntamento correto dos diferentes ingredientes. Teologia se faz assim e é desta forma que o cristão satisfaz a sua fome de Deus.

Um grande erro do mundo moderno é apontar como verdadeiro e bom tudo aquilo que é prático. Isso se chama de pragmatismo. Este tem sido um câncer perigoso que atinge a igreja atual. Não é negado o valor da prática, aliás, um resultado prático e bom, é fruto de uma boa teoria, mas muitos têm se enveredado por um caminho perigoso, que é desprezar o uso da razão na sua vida cristã. Uma mente possuída pelo Espírito Santo de Deus é aquilo que é chamado a mente de Cristo. O movimento religioso da nova era se tem infiltrado sorrateiramente no meio da igreja cristã. Isto se chama "conformar-se com o mundo". Este movimento é mais um movimento que esta baseado nas sensações espirituais. Em outras palavras isto é mundanismo. A grande maioria dos cristãos liga mundanismo ao tipo de roupa, música, comportamento social, etc. e se esquecem que também o mundanismo entra na igreja através do estilo de vida que não deseja usar a mente para estudar e entender a palavra de Deus. Gostamos de experiência, mas não de estudos da experiência, pois se fazemos isto somos questionados na base da experiência.

Podemos ficar alegres quando olhamos a história cristã, pois os grandes homens de Deus, que escreveram grandes e volumosos tratados teológicos eram homens que viviam na presença de Deus. Eles entendiam que o evangelho de Jesus tinha duas primazias que não eram contraditórias, mas paradoxais, o que exigia do cristão uma resolução. Estas primazias são a primazia do intelecto e a primazia do coração. Assim, as emoções ficam acessas duma melhor forma quando conhecemos mais profundamente a majestade de Deus. Nada pode estar no coração se não estiver primeiro na mente. Quando estudamos os textos bíblicos de homens como Moisés, Isaías, Paulo, e tantos outros da história cristã, percebemos que eles falam do que conheciam para depois permitir que as emoções sejam colocadas a serviço da adoração. R.C. Sproul, teólogo reformado diz: "As emoções podem ser acesas pelo mais leve conhecimento da majestade de Cristo. Mas para que a fagulha aumente até se tornar fogo devorador e duradouro, nosso conhecimento a respeito dele deve aumentar"

A história da igreja foi marcada por grandes pensadores teológicos que se tornaram fonte de informação e fundamentação filosófica e teológica de muitos pensadores atuais. Homens como Agostinho, Inácio de Antioquia, Irineu de Lyon, Agostinho, Tomas Kempis, Martinho Lutero, João Calvino, Jonathan Edwards, fazem parte de um grupo seleto de homens que andavam com Deus e usaram o seu intelecto para dar uma correta expressão da fé cristã. Eles entendiam que a fé cristã era lógica e coerente. Seus corações eram estimulados por algo que conheciam. Atualmente precisamos de homens ou mulheres que tragam para o seu povo uma teologia coerente, lógica e acima de tudo bíblica - e ela existe - só nos resta que estes tenham os seus espaços. Quando muitos cristãos da igreja evangélica brasileira proclamam uma "nova reforma" hoje, despertando o ministério do apostolado, é necessário que estes pregadores da "nova reforma" lembrem-se que também existe o ministério do mestre e outros ministérios, pois só assim esta "nova reforma" será completa. Ao Senhor da Glória e Eternamente Perfeito Seja Toda a Glória.

Assim eu escrevi - jotaeme

A FAMILIA CRISTÃ “ESQUIZOFRENIZADA”

    No ano em que instituição do divórcio cumpria 30 anos no Brasil (2008), o IBGE divulgou as estatísticas relacionadas ao divórcio. A atual taxa de divórcio no Brasil é a maior desde 1995 com aumento de 200%. Isso significa que, em média, a cada quatro casamentos, um é desfeito. Sem dúvidas, uma primeira e simples conclusão é que a sociedade mudou o seu pensamento e comportamento diante da instituição familiar.    

    Refletir e falar sobre família não é uma questão simples, mas não são as dificuldades que devem impedir a reflexão sobre o tema. O desafio diário do cristão evangélico de viver determinados padrões familiares tem sido uma constante. Dominicalmente os freqüentadores e membros das igrejas têm sido desafiados com discursos que os convocam a viver determinados padrões familiares, com o objetivo de sustentar e manter o casamento e o vínculo familiar estabelecido. Cônjuges e filhos são constantemente expostos a palestras, pregações e estudos com o intuito de manterem e vivenciarem uma família cristã, com práticas tidas como cristãs.

    No entanto, nos perguntamos: ainda é válido, em pleno século XXI, o modelo familiar que nos foi ensinado nos séculos XIX e XX? Existe a necessidade de se pensar em um modelo de família cristã para a pósmodernidade? Manter os valores cristãos para a família significa manter práxis ou costumes do milênio passado? Eis o desafio.

    Em primeiro lugar, faz-se necessário esclarecer que a família deixou de ser um núcleo social para se constituir num núcleo funcional. Na atualidade, a solidariedade, que é um valor que precisa ser restaurado, começa a ser substituída pelas funções que os membros da família exercem. O envolvimento familiar é responder às questões que levantamos, e mais importante, à pergunta: quem eu sou nesta família? Trata-se de uma questão de identidade e filosofia familiar e o cristianismo, por ter um discurso solidário gerado numa concepção comunitária que é exposta na imagem de corpo de Cristo, provoca e traz uma crise no meio familiar, uma vez que as pessoas são solidárias na comunidade cristã, porém não o conseguem ser na família. Vive-se, portanto, a crise da fé x práxis. A ortodoxia x ortopraxia.

    Em segundo lugar, o discurso evangélico esquece-se da tríplice vivência mundana do cristão. Não defendo a idéia de "conformar-se com o mundo", mas não se pode esquecer que o cristão "está no mundo" e que a oração de Jesus foi que fôssemos "livres do mal". Particularmente, vejo aqui o cerne da "crise familiar", a falta de leitura daquilo que chamo de "sinais dos tempos".

    O cristão vive envolvido num "tríplice mundo": "mundo-família", "mundo- igreja", e "mundo-sociedade". Uma simples observação da distribuição do tempo, dos estímulos e da participação destes cristãos mostrará quais influências, formação e informação esta família receberá. Esta leitura básica da mundaneidade deverá conduzir o tipo de discurso ligado à família que as igrejas devem proporcionar aos seus ouvintes. Como dissemos não se trata de nos conformarmos com o mundo, mas de sermos sábios e prudentes para "transformarmos o mundo".

    É necessário transformar famílias para viverem no mundo e não para viverem somente para si. Proponho aqui que a família deve ser uma comunidade da vida, ou seja, uma verdadeira facilitadora da vida em comunidade, sem se conformar com a filosofia da vida mundana.

    Os formadores de opinião e aqueles que se dedicam a organizar e produzir materiais para a família cristã devem, impreterivelmente, fazer a leitura dos "sinais" de nosso tempo. Dessa forma, teremos um discurso libertador e não gerador de uma opressão religiosa. A mensagem que deve ser comunicada deve não somente facilitar a compreensão da vida cristã em família, mas ser um facilitador do viver cristão. Um discurso concreto e não idealista. Existencial e não asceta. Da vida e não de morte. Da graça e não da lei. Do evangelho e não da tradição ou religiosidade. Da diversidade familiar e não de uma padronização serial.

.     Não podemos nos esquecer que a vida cristã é integral, mas em termos de tempo, crescimento, aprendizado e outros, somos limitados. Atualmente, muitos lares são verdadeiros dormitórios. É difícil pedir a uma família cristã que se junte diariamente para exercitarem a oração, quando esta tem apenas os fins de semana para estarem juntos. É esta a realidade "mundana" a qual nos referimos e que deve ser entendida e levada em consideração por aqueles que produzem treinamentos, cursos, palestras para as nossas famílias cristãs.

    Outra questão que deve ser indicada é a rapidez com que as mudanças acontecem em nossos dias. Não há como não mudar. As pessoas mudam de grupos sociais, de amigos, de igrejas, de bairros... Não se estabelecem vínculos profundos e duradouros. Portanto, a mudanças podem acontecer e devem acompanhar o ritmo da sociedade. O ensino para a família atual deve ser rápido, proativo, interessante. Os valores permanecem, mas a forma deixa de ser cristalizada, sem perder o status de cristão. Um exemplo trivial é a leitura bíblica. Hoje muitos não lêem a Bíblia diariamente, mas a ouvem, diariamente e por muito tempo. Estes cristãos "posmodernos" usam o seu tempo e o som de seus carros ou seus aparelhos de mp3 para "ouvirem" as Escrituras Sagradas, enquanto dirigem ou estão parados nos engarrafamentos das grandes cidades. Serão eles menos cristãos do que aqueles que antes, dispunham de mais tempo para lerem a palavra?

    A esquizofrenia da família cristã se dá quando os membros das igrejas são retirados do seu habitat e são conduzidos a vivenciarem a fé cristã por modelos produzidos por matrizes religiosas forâneas e em série. Os cristãos não podem ser retirados do contato com a sua realidade da vida e especificamente dos tumultos vivenciais. Quando existir uma correta leitura dos "sinais dos tempos", existirão mais cristãos concretos e menos cristãos em série. Existirão cristãos ligados com a sua realidade. Estes cristãos, que são vistos como artefatos eletrônicos nos quais basta que se ajuste um determinado parafuso, ou transistor para que tudo volte a ser como dantes devem ser libertos. O tecnicismo da vida cristã, que nos ensina que se fizermos determinadas ações, usarmos determinadas fórmulas, teremos os resultados almejados, deve ser extinguido e substituído por algo de mais "mundano, mais concreto, mais real.Feito para o homem atual e para seus dilemas atuais.

    A teologia da vida cristã é holística: Deus, Criação e Eu. Ela é concreta e multifacetada. Cada cristão vive suas experiências de forma subjetiva e diferenciada. A riqueza da palavra de Deus é que ela é viva. O significado disto é: a palavra e formação estão em constante desenvolvimento na vida das pessoas. Não erramos se dizemos que a palavra de Deus por ser viva é "funcional". Isto significa que a eficácia também está de acordo com a forma que cada cristão desenvolveu, com sua história de vida. Isso inclui experiências de vida, família, formação, identidade pessoal única, experiência religiosa, estilo pessoal, dons, etc. E isso não gera cristãos em série.

Assim escrevi - jotaeme